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A Construção Escalar da Ação no Movimento dos Sem-Teto

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Geografia.

GRANDI, Matheus da Silveira (2014): A construção escalar da ação no movimento dos
sem-teto. Tese (Doutorado em Geografia), Programa de Pós-Graduação em Geografia /
UFRJ, Rio de Janeiro. Orientador: Prof. Dr. Roberto Lobato Corrêa

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Este trabalho tem como objetivo apresentar três teses sobre a relação entre a dimensão escalar da espacialidade humana e o ativismo político, utilizando como referência para tais reflexões as práticas sócio-espaciais cotidianas do movimento dos sem-teto no Brasil. Tomo por base o envolvimento com ocupações deste movimento nos últimos sete anos e o trabalho de revisão e organização da literatura a respeito das escalas geográficas, com atenção especial àquelas reflexões produzidas no ambiente acadêmico brasileiro e em trabalhos elaborados em língua inglesa.

Resgato certas ideias presentes na história do pensamento sobre a dimensão espacial para destacar três momentos da problemática das escalas geográficas: seus primórdios, quando os questionamentos se voltavam à identificação das unidades de área, processo através do qual a diferenciação espacial poderia ser significada e o controle territorial subsidiado; sua emergência, quando o “problema da escala” é diretamente elaborado por conta da necessidade de organizar as unidades espaciais e visando a potencialização da ação sobre a realidade; e sua politização, quando a parcialidade política dos procedimentos de definição das unidades espaciais e de sua organização em diferentes configurações ou arranjos escalares é explicitada, levando à multiplicação dos trabalhos a respeito do conceito de escalas geográficas ao redor de eixos que discutiam aspectos ligados à sua natureza, forma e organização.

Enfatizo algumas possibilidades de contato entre esses novos debates ocorridos a partir da década de 1980 e as pesquisas sobre movimentos sociais urbanos como forma de introduzir meu interesse em refletir sobre a escalaridade a partir das práticas sócio-espaciais cotidianas do movimento dos sem-teto. Abordo, então, alguns aspectos do uso da categoria “luta” por moradoras e moradores dos territórios ocupados pelas organizações desse movimento —com foco principal em duas ocupações do Rio de Janeiro (Ocupação Quilombo das Guerreiras e Ocupação Chiquinha Gonzaga) e uma de São Paulo (Ocupação Mauá) — entendendo-o como um termo escalar e que confere sentido de transcendência às atividades diárias do movimento.

Em seguida, aproveito o compartilhamento de situações do dia a dia das ocupações para, por fim, sugerir três teses sobre a escalaridade: a relevância de se compreender as escalas geográficas como categorias da prática sócio-espacial cotidiana, a possibilidade de se abordar as dinâmicas escalares a partir de ao menos duas faces complementares —uma topográfica e outra topológica— e, por fim, importância de se reconhecer a escalaridade enquanto um instrumento crucial de exercício de poder.

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